segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Yoga e não só

Prática de Yoga em Coimbra,no Bem me Quero,com orientação da Lara, mulher que vi pela segunda vez na vida mas que me cativou como quase toda a gente ligada ao yoga me cativa. Espontaneidade e à vontade na comunicação. São quase sempre pessoas que falam de forma aberta e franca para toda a gente , sem complexos ou preconceitos. Está em fase de mudança de instalações e talvez por isso estivesse um pouco eufórica não obstante se perceber alguma mágoa ou tristeza porventura por ir deixar um espaço que já ocupava há quase um ano , segundo fiquei a saber.

Fui com a minha irmã.

Uma outra irmã também esteve por cá , falando muito sobre o problema que tem entre mãos para resolver depois do seu filho lhe ter destruido o carro num acidente do qual saiu , felizmente , ileso. É natural:a compra de um carro é quase sempre uma dôr de cabeça.

Continuo sem a ter a minima ideia do que vou fazer amanhã. Talvez vá a Águeda ver se está tudo bem em casa e aproveito para pagar a renda. Mais um mês de compromisso com uma terra onde não quero continuar. Mas não sei o que fazer nem para onde ir viver.É angustiante. De vez em quando aparecem umas ideias , umas possibilidades mas nada que eu diga , é isto.

Começo a preocupar - me realmente.

domingo, 1 de agosto de 2010

Alentejo I

28/7/2010

São quase 13H00 e todos , à excepção do Galo , estão acordados ou melhor, semi acordados , dadas as horas tardias a que se deitaram , os whiskies bebidos e os cigarros fumados que inevitávelmente os deixaram num estado entre o hipnótico e o anestesiado com os sentidos e o raciocínio toldados.


Se assim é comigo não há – de ser muito diferente com os outros.

Tomar o pequeno almoço , fumar os primeiros cigarros do dia , trocar umas palavras de circunstância e cada um de nós parece cair num espaço próprio necessário para o reencontro individual após as longas horas feitas de partilha , libertação e euforia potenciadas pelo álcool e pelo fumo.

O Jorge não foi à cama e , de directa , foi caçar umas rolas com a pressão de ar tendo – se recostado agora mesmo no sofá da sala. Não passaram ainda uns minutos e já se ouve ressonar. Muito se queixa da dificuldade em adormecer mas já perdi a conta das vezes em que o vejo a fazer isto : adormecer como um bebé apenas com a diferença que o ronco dá. Vai dormir por um bom bocado , se o deixarem.

O tempo hoje está agora algo cinzento , com um céu de trovoada , que já nos presenteou com uns ligeiros e breves pingos de chuva. A temperatura está talvez mais baixa hoje do que ontem mas não é por isso que não me apetece ir à praia neste momento. Não há , este ano , a mesma vontade de outros anos do sol , da praia e do mar. É natural…

Pode ser que lá vá mais tarde…

Tenho pena de não saber mergulhar decentemente porque o mar está suficientemente calmo e tranquilo que daria com certeza para trazer peixe, polvos ou bruxas .

São agora 22H18 e estou sozinho no monte ouvindo uns trechos do segundo e terceiro actos do Turandot de Puccini. É um pouco estranho neste sítio mas é assim mesmo a vida: estranha e sempre surpreendente .

João , Jorge , Bernardo e Didi talvez estejam jantando no Octávio. Não enviaram qualquer mensagem. Vou ficar por aqui mais um bocado e talvez lá apareça depois.

Ana e Patrícia partiram para Lisboa e agora ficámos sem mulheres o que desequilibra e destempera os momentos. É pena mas paciência que outras mulheres virão...!

domingo, 25 de julho de 2010

Véspera

Foram todos embora. O silêncio ocupa por completo o espaço e restam sómente as memórias do dia como despojos aprazíveis, quase palpáveis.

Partirei amanhã para o Alentejo com o coração um pouco mais preenchido.

sábado, 24 de julho de 2010

Momento de tranquilidade

É tarde. Uma beatitude inesperada invadiu a sala.

Por certo adivinhou que irá ficar sem mim uns dias.

Ao longe ouve - se uma música popular que chega até aqui já cansada e sem muita força.

É assim! Por esta altura do ano , por esse Portugal fora , festas e romarias : música e dança , conversa à solta.

Festeja-se a vida , aproveita-se o momento .

Põem -se para trás das costas ou dentro de um copo , mesmo que apenas por instantes , os problemas do dia a dia , a crise , os desencontros da vida , as tristezas , a trampa do Sócrates ...

Dançai e bebei , que a vida são dois dias...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

A amizade

Um código secreto regula as relações de amizade. As regras não estão escritas em lado nenhum e muitas das vezes também não são verbalmente enunciadas.Se esta informalidade "contratual" fornece à amizade o que de tão especial se lhe reconhece 'obriga' as partes ao uso de tacto , bom senso e , sobretudo , de franqueza e honestidade.



Entendo que a amizade deverá ser uma relação onde a verdade/sinceridade impere , onde possamos ser ao pé do outro quase como somos ao pé de nós próprios.


Por isso carrego na consciência o peso de uma desnecessária embora que inofensiva e inconsequente mentira dita ao meu amigo J.



É preciso que o outro saiba o que pode esperar de nós: não precisaremos de relatar todos os nossos actos ou pensamentos mas é necessária uma base de confiança , é necessário que o outro saiba o que nós , estruralmente , somos. Nada é pior que a insegurança, o não saber com o que se pode contar.


Pudor e acanhamento são sentimentos que não podem ter lugar numa relação de amizade. A amizade é o reino da franqueza.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Memória

Olhou na água o seu rosto reflectido , tremulando entre as pequenas ondas . Parecia uma criança esquecida e abandonada , ansiosa e já um pouco assustada .


Como antigamente , em menino, estava receososo , sentia-se só , profundamente só , como se fosse a unica pessoa à face da terra , como se toda a gente se tivesse ido embora , como se todos o tivessem abandonado. Sentira de novo que o seu pai , do outro mundo , o abandonara uma vez mais.

Ali permaneceu por um bocado absorto nos seus pensamentos , refugiando - se num mundo que só existia dentro da sua cabeça , continuando a olhar a sua imagem reflectida no espelho de água , vendo o seu rosto distorcido , ondulando lentamente em cima daquele tapete liquido . Sentiu-se realmente só . Quase sentiu medo e esteve mesmo quase a chorar , paralizado , até que uma voz vinda de trás de si o trouxe de novo para a realidade.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Crianças

É dia ainda. Parece que ontem não existiu e cheguei a hoje vindo do nada.

Estou entre crianças numa brincadeira que só elas sabem ter , correndo e gritando sem razões aparentes apenas pelo prazer de correr e gritar.Balões coloridos levantam-se no ar e a pequenada delira numa alegria sem fim.Atiramos , uns aos outros, água do pequeno lago junto das árvores e eu vou correndo com eles à minha volta até que as forças se esgotam e me deito na relva , olhando o céu e ouvindo as gargalhadas desordenadas que se espalham pelo espaço. As correrias continuam como se aos meus amiguinhos não acabassem nunca as forças. João atira-se para cima de mim e fica a rir-se olhando-me o rosto suado com um ar interrogativo:"então,não brincas mais?" . "Sim", respondo-lhe com o que resta do meu fôlego e sorrio ao mesmo tempo que lhe faço umas cócegas tentando afastá - lo porque quero descansar um pouco mais ,ali deitado no chão.Não resulta. Assim que se recompõe volta a «atacar-me» , chegando agora a sua vez de me fazer umas cócegas que há muito já não tenho mas disfarço e desfaço - me em trejeitos e risos que a certa altura chegam mesmo a ser verdadeiros .



Corro atrás dele como um monstro assustador aproveitando para amedontrar outros coleguinhas que apanho pelo caminho. Gritos e mais gritos. Correria desenfreada e aleatória por entre as árvores e os arbustos passando por cima de toda a folha , até que me atiro de novo para o chão fazendo - me de morto e quase morto estou tal o cansaço." o monstro morreu" , grito bem alto. Ninguém quis saber de tal acontecimento. Se o monstro morreu outras personagens logo surgiram e a brincadeira continuou caótica e livre.

sábado, 5 de junho de 2010

Dúvida desfeita

A felicidade não se procura,encontra-se.

domingo, 30 de maio de 2010

Tristeza

Pouco mais que tristeza tenho para relatar e mesmo essa não é fácil de descrever.



Sei que pouco ou nenhum sentido faz este estado de melancolia sabendo tanbém que não traz solução para problema algum mas parece que tenho que passar por ele para poder começar seja o que for.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Vazio

Parece que entrei num buraco. A cabeça comprime - se , os pensamentos ficam cada vez menos claros , a realidade transforma-se , o tempo assume uma dimensão estranha.



O silêncio avança e impõe - se. Não há vozes. Poucas são as palavras trocadas;fortuitas e sem sequência.

Como sair deste buraco?

sábado, 15 de maio de 2010

Conversa imaginária III

Podia ter sido feliz , sabes?!

e talvez até pudesse ter -me realizado profissionalmente..., sabes?!

Houve uma época em que essa possibilidade existiu mas eu era ingénuo e irrealista.
Pensava que bastava existir , para que isso acontecesse.

Só mais tarde , muito mais tarde , sabes? , depois de muito sofrimento é que percebi que a vida não funciona assim. É preciso muito mais do que simplesmente existir para que haja a possibilidade de se tocar a felicidade.

Eu sei que isto é um lugar comum, que é a coisa mais natural do mundo , isto é , que é a lógica normal das coisas mas para mim não o foi durante muito tempo , sabes?

Pensava que bastava estar , que fosse suficiente respirar , comer e dormir que tudo aconteceria e que tudo o que eu desejasse se tornaria realidade.

Estúpido, não é? imbecil mesmo , mas mantive esse pensamento durante muito tempo , tempo de mais reconheço hoje. A vida encarregou – se no entanto de me ensinar que nada era como eu julgava que fosse e tive naturalmente que fazer o meu caminho cometendo, porventura tardiamente, erros que não tinha cometido e com eles aprender a crescer. E sei que muito tenho ainda que errar , muito tenho que aprender e receio mesmo que já não haja tempo para muita coisa e que muito fique por viver e por fazer.
Sinto o tempo escorrer , sem piedade e por vezes as forças abandonam-me .

Olhei – a discretamente e tentei decifrar através das feições do seu rosto o que lhe passaria nos pensamentos mas nem sempre era fácil. Atrás da leveza daquelas linhas escondia –se algum mistério que ainda não conseguira desvendar e que , de alguma maneira, me intrigava um pouco. Havia momentos em que a sua testa se franzia de uma forma peculiar perdendo – se com isso o equilíbrio que o seu rosto tinha a maior parte do tempo, e isso causava – me alguma perplexidade e admiração.

A lareira estava acesa. Levantei – me e fui remexer a lenha, acrescentando mais umas achas, tornando o fogo maior e mais quente. Olhei por instantes as labaredas crescentes e voltei ao lugar caminhando pausada e pensativamente.
Ali estava ela encostada do lado esquerdo da boca do fogo, conversando com a sua amiga Catarina, ambas fumando, trocando conversa recente.

Conversa imaginária II

Estou morto, pensei. Morri e vim parar aqui, a esta praça onde há algumas pessoas que pintam, outras que circulam, aparentemente sem nada para fazer .
Um pouco mais á frente, não muito distante, num coreto, um rancho de folclore dança ao som da música tradicional.
As palavras saíam – me moles, sem vivacidade, sem ânimo, com falta de convicção e decidi que talvez fosse melhor sair dali. Afinal não era bem eu que ali estava. Morrera, pensei.

Morri, pensei. Morri e vim para aqui dizer – te isso mesmo, que morri ou parti para um lugar longe de mim. Queria que as lágrimas corressem pelo rosto abaixo mas hoje ausentaram-se, estarão porventura em sítio longe, incerto, distantes do rosto porque longe do coração.

Começou a chover, Ao inicio pouco mas logo aumentou , a seguir parou .
Ficaste ali, mesmo assim, entretida a pintar o quadro que a tua imaginação deixava.

Quem sabe se um dia nos encontraremos e então te possa revelar o amor que um dia senti e que ficou à porta das palavras por receio. Sou um tímido inveterado, sabes, acho mesmo que não tenho cura e foi isso que ajudou em grande medida a que tenha ficado só e me sinta tão perdido e quantas vezes sem esperança de me encontrar como ser humano ou encontrar um momento ou um lugar onde sinta paz. Tenho medo, por vezes, muitas vezes ultimamente, sabes, tenho um medo absurdo, lancinante quase.

Conversa imaginária I

- Sabes, Inês, o homem criou Deus porque precisava dele. Sem fé não é possível viver. Conheço pessoas que, como eu, dizem que não acreditam em nada para lá do visível, do sensível, do imaginável ou do palpável mas é mentira, sabes, todos nós acreditamos em algo que não conhecemos e nos transcende e , o mais curioso é que queremos que assim se mantenha: desconhecido, misterioso e indecifrável .

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Erro de calendário?

Tempo chuvoso e frio.

Maio a fazer lembrar Novembro.

Mesmo a visita da Santo Padre não foi suficiente para convencer S.Pedro a acertar o clima com o calendário e faz frio e chuva num mês de Primavera madura.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Equivoco

O que faço aqui?


Por cima de mim a criança chorona , mimada e mal educada , incomoda - me a todo o instante . Os pais pensam certamente que têm ali um tesourinho mas , por amor da santa , se não se põem a pau , têm ali um monstrinho , sem criatividade , sem vontade , sem iniciativa , acreditando que lhe basta chorar para ter tudo o que quer.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

As noticias da TV

O Benfica sagrou - se ontem campeão nacional de futebol da época 2009/2010. Á conta disso , as televisões nacionais pintaram - se de vermelho e mostraram - nos os esfuziantes adeptos em comemoração frenética e participada.
Por norma , este tipo de manifestações são muito pouco educativas e edificantes .
Vêem - se umas tantas pessoas aos saltos - maioritáriamente jovens - gritando umas palavras de ordem de pouca imaginação , encavalitando - se em cima de estátuas , carros ou postes , agitando cachecóis e bandeiras , fazendo , na grande maioria das vezes , figurinhas pouco interessantes e durante uma quantidade de tempo absolutamente desproporcionada.
Mas é assim ! Uma delícia aparente para as nossas cadeias de televisão que nos dão daquilo até ao vómito.
Paralelamente , essas mesmas televisões , também nos falaram do conciliábulo que os dirigentes políticos europeus mantiveram , pela noite dentro , em Bruxelas , tentando encontrar soluções para o regabofe económico/financeiro em que grande parte dos países da união europeia se encontram.
Parece que sim , parece que se encontraram uns milhões largos de euros , vindos sabe lá Deus de onde , que se vão entornar nos caldeirões efervescentes das economias dos diferentes países para atenuar a fervura das respectivas crises.
E ainda nos falam do Papa , as nossas queridas televisões. Muito Papa , muitos detalhes , aliás todos os detalhes sobre tudo o que se ralacione com a visita de Sua Santidade.
Não tenho nada contra este Papa , nem nada contra a instituição que representa , apesar de estar distante quer da prática quer de muitas das ideias e posições adoptadas pela Igreja Católica.
O que me cansa é a repetição do tema e o esmiuçar , por vezes sem qualquer sentido ou interesse , dos pormenores que rodeiam a sua visita ao nosso País.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Um dia de reflexão

Chove de novo.

O céu está cinzento e a temperatura baixou .

Baixou também o ânimo dentro de mim.


Mas é assim mesmo. O sol todos os dias nasce e todos os dias morre, numa permanente regeneração.Amanhã será um novo dia . Os dias fazem - se em semanas e depois em meses e depois em anos e chegará a altura em que partiremos e deixaremos de perceber esta cadência que , contudo, continuará mesmo sem a nossa presença.

É sempre diferente , nunca nada é igual.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Prós, só prós.

Vou-me deitar mais descansado porque sei que a Dona Fátima Campos Ferreira está a tratar de salvar este meu País de qualquer malefício a que possa estar sujeito.
É um descanso saber que todas as segundas feiras alguém olha diligentemente por todos nós e que , nas terças - feiras que se seguem a estas curas televisionadas,nada mais será como antes , todos os males ficam tratados, todas as feridas saradas .

Dorme tranquilo português menino , que a mamã Fátima cuida de ti.

domingo, 2 de maio de 2010

Maio

Dia da Mãe.

Almoço em família.

Vejo e sinto que os anos passam , implacáveis. Os mais velhos , mais velhos , os mais novos são hoje adultos jovens que começam a vida , cheios de vigor e esperança.

Uma certa nostalgia abate - se sobre mim . Sei que fui e sou o grande responsável pelo que me aconteceu , embora tome consciencia que em determinados momentos não tinha consciencia clara dos lugares para onde os meus passos me levavam.

O tempo passa rápidamente e num instante olhamos o espelho e vemos alguém que não reconhecemos de imediato. A imagem reflectida é que nos auxilia e diz: este és tu. Cabelos brancos onde anteriormente estavam cabelos castanhos , rugas onde antes havia pele lisa e nos olhos , uma tristeza , onde antes se via um brilhozinho.

sábado, 1 de maio de 2010

Festa

Abre-se a porta e vão entrando os convidados numa desordem de festa , com ruído de crianças e agitação de adultos ; as vozes vão-se sobrepondo umas às outras num caos amistoso e as crianças , correm contentes , umas atrás das outras , como se se procurassem a si próprias.De vez em quando ouve -se o barulho de qualquer coisa a cair , seguido de silêncio , uma reprimenda , nada de grave e tudo volta a girar , as crianças soltando gritinhos ,os adultos voltam à conversa , esquecendo-se o episódio ,até ao próximo.

Dura umas horas a festa. A agitação é constante mas vai diminuindo à medida que o tempo passa e os convidandos vão saindo , satisfeitos e felizes.

Fica a família e a mãe começa as arrumações , enquanto a criança esgotada se encaminha para o sono , com um sorriso no rosto e satisfação na alma , indo sonhar com princípes e princesas , cavalos alados e elefantes voadores , seres extra-terrestres esverdeados e amarelos , de tres olhos e seis dedos , derrotados por pistolas de lazer e de sons ultrasónicos.

A noite chega atapetando o dia , acalmando o frenesim.

Volta o silêncio.

O tempo

É sempre pouco o tempo. Passa a voar. Deitamo-nos e depois do sono somos os mesmos , tranformados , um dia mais velhos .
Por vezes há vendaval , outras , a calmaria. É sempre diferente.

Ouço a criança a brincar , gritando , correndo , cheia de emoções e vida , crescendo dia após dia, fazendo -se gente , adulto que se esquecerá como foi em criança , cheia de emoções e ilusões.

Lá mais ao longe o mar vai-se desfazendo em espuma branca junto à areia , entoando uma sinfonia interminável e bela.

O tempo não pára , indiferente a tudo , na mesma cadência de sempre , determinado e certo , deixando as suas marcas , fazendo e desfazendo , construindo e destruindo.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Formação em Coimbra

É tarde. Estou cansado. A semana está quase a acabar e é o silêncio que trago dentro de mim.



Catarina é engraçada. É uma mulher menina , leve e suave . Não sou capaz de lhe dar uma idade. Eu próprio , confesso , tenho alturas, em que não sei muito bem que idade tenho. Mas Catarina é jovem ainda , disso não há dúvidas.



Orlando , faz-me lembrar o Cabé. Fala demais mas é cómico , por vezes um pouco inconveniente.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Incúria

Estou fulo. Fulo com o meu País , fulo , principalmente , com aqueles que o têm governado ao longo destas décadas de democracia , para não ir mais longe.

Derrubou-se a ditadura , instaurou - se um regime democrático mas não se soube estabelecer um regime justo e económicamente sustentável . Muito fica a dever - se à ganância , aos interesses mesquinhos , à visão curta e imediatista. E depois , não sabemos planear , perspectivar o futuro. Além disso, somos preguiçosos , preferimos o facilitismo ao trabalho duro . Para piorar tudo , gostamos mais de falar e de opinar do que de fazer . (Temos , porventura , dos melhores palradores que há e para todos os assuntos ). Somos invejosos e pouco unidos . Somos egoístas e convencidos . Somos um País de futebol. Raios partam tanto futebol , porra.

Que merda de situação esta...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Abril

Comemorou-se ontem mais um aniversário do 25 de Abril .

Fui à praia , li um pouco da Eneida , dormitei no sofá da sala e olhei para a televisão quase sem ver fosse o que fosse.

Há 36 anos atrás foi um dia de festa para boa parte dos portugueses.

Eu , que era muito novo , bastante mal informado e vivia num Portugal rural que já não existe , não vivi esse dia em festa por desconhecimento e ignorancia mas , os que se lhe seguiram , foram de um entusiasmo , alegria e expectativa como nunca mais vi neste País que , ano após ano depois , foi perdendo a cor e o brilho.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Eu sei lá

Entrou e avançou um pouco pelo hall de entrada . Parou , aguardando que alguém viesse ter consigo.


Olhou em redor , observando os quadros expostos , conseguindo perceber que tinham entre si , uma característica comum: luz e a água .



Em todos eles uma luz expressa , clara e ampla e , em quase todos , água. Num deles, logo à esquerda , para onde primeiro dirigiu o olhar , havia um rio luminoso que sobressaía numa paisagem campestre e que logo chamava a atenção pela forma intensa como a luz se reflectia nas suas águas tranquilas quase deixando passar despercebida a mulher que caminhava junto às margens , com um cesto no braço , como se andasse colhendo fruta.

No outro lado , onde havia uma porta , num outro quadro , era o mar , batendo impetuoso e revolto nos rochedos , que retinha a luz branca de um dia de Agosto , luz que lhe acentuava a rebeldia e a liberdade. De imediato pensou no seu querido Alentejo . Na parede em frente , ao lado da escada que ali nascia , um curioso quadro onde , dentro da piscina , se via de lado uma linda mulher nadando um enérgico mas elegante crawl. Mais uma vez a luz . As curvas do ventre delicado da mulher chamavam a atenção pela forma como a luz nelas incidia , prendendo o olhar , como se ali houvesse um íman . Ao mesmo tempo a imagem , quase fotográfica, transmitia uma grande tranquilidade . Logo ao lado deste , o retrato que mais o impressionou,a lápis ou carvão ,de uma mulher. Traços leves e suaves desenhavam um rosto de onde se soltavam cabelos cor de trigo envolvendo os olhos , tapando até o olho esquerdo , deixando perceber um sorriso breve , tranquilo e amistoso.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Noite tranquila

Choveu há pouco mas já não chove mais. A metereologia prevê ,aliás , para mais logo , um dia cinzento em quase todo o território nacional , o que não me parece mal nem bem , diga - se.

Hoje , quando as nuvens deixaram que o sol se visse a brilhar, fez um calor quente , mais de Verão do que de Primavera se é que essas categorias ainda existem na realidade.

Gosto do silêncio. Faz - me lembrar o deserto mas lembra - me sobretudo as grandes praias de Março ou Abril , sem gente nem rebuliço. Apenas a areia , o mar e normalmente o vento . Areia, mar e vento.Por vezes umas gaivotas procurando alimento. Gosto dos grandes areais vazios, sem gente nem rebuliço,sem atropelos nem pressas. Apenas areia , o mar e vento.Parece haver mais lugar para o sonho e para a esperança.

Gosto de tomar banho nas grandes praias desertas de Março e Abril. Quando o mar deixa!. Ás vezes só dá para me sentar junto à água e ficar observando as ondas e a linha do horizonte , mais ao longe.Por vezes um casario a norte ou a serrania a sul. Doutras vezes , apenas escarpados rochedos que mergulham temerariamente nas águas frias do oceano.

Porquê?

O que venho aqui fazer no final do dia , cansado , é um mistério , até para mim próprio ,mas é um ímpeto superior à minha vontade que me impele a sentar e a dedilhar sobre este teclado preto marcado a branco.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Pocariça

É já um pouco tarde.Talvez meia noite. Depois de ter desligado a televisão um silêncio profundo envolve o espaço onde me encontro.Só a ventoinha do computador e o barulho das teclas premidas por mim quebram a calmaria onde de repente entrei. São a minha companhia.

Acendo um cigarro , apesar de saber que me tira vida.Observo o fumo a dissipar - se lentamente no vazio da sala , desaparecendo . Dou mais uma baforada. Os pulmões não gostam muito deste meu amigo mas agora não é o momento deles , tiveram hoje os seus momentos . Agora é a hora do silêncio e da recordação. Do balanço do dia.

Lembro - me de Ana a quem ainda não respondi. Ana que tem sido uma companhia esporádica mas amiga e com quem gosto de falar , mesmo que seja quase só por sms.

Recordo o dia fantástico de sol que hoje fez , o mar calmo , raro nestas paragens , a belíssima praia , a leitura , a preguiça e a calma , sobretudo a calma.O cafézinho no Quim Manel e as bincadeiras com a Bárbara e o Manel , a gentileza da Mami.

Agora a tranquilidade de uma casa vazia mas que de vez em quando se enche com partes do meu passado num silêncio apenas entrecortado pelo barulho das teclas premidas por mim e da ventoínha deste computador onde escrevo.

domingo, 4 de abril de 2010

Páscoa

Tudo hoje me fez lembrar que a nossa vida não é mais do que uma passagem, um tempo intermédio entre o momento em que nascemos e aquele em que desapareceremos como matéria. Sabemos do início mas desconhecemos o fim.

Como a Páscoa , palavra que , em hebraico , significa passagem .

Se pensarmos que Jesus Cristo faz uma passagem entre a vida e a morte e da morte para a vida pela ressureição , talvez possamos dar à nossa Páscoa o siginificado que tem em hebraico até porque , com o seu sacrificio , leva os que então o seguiam e depois muitos outros , a fazer igualmente a passagem , a passagem para uma religiosidade até então desconhecida .


Particularmente hoje , não sei com rigor, como vai ser o dia de amanhã , como poderei então querer ter a pretensão de saber que tipo de foz terá o rio da minha vida?


Vem esta pequena reflexão a propósito da visita pascal em que hoje participei , nesta aldeia onde me fiz gente e onde tanto da minha vida se encontra.


Foi um permanente reencontro com o passado e, a espaços , a pré visão de algum futuro , mas foi o presente que , com prazer e bonomia se impôs e o que vivi a grande parte do tempo .

Benção da época? não sei, não sei até se mereço qualquer espécie de benção, o que sei , o que senti , foi um bem-estar especial, uma calma interior (não obstante alguma agitação vivida) e que se percebia ser sentida tanbém por aqueles com quem falei e me cruzei.


Um tempo presente sempre atravessado pela memória de outros tempos é certo, porque as palavras , feitas conversas , trazem consigo as lembranças , evocando -se , com emoção e sentimento , aqueles que já não estão , relembrando - se episódios passados , história e estórias arrumadas nas gavetas do tempo .

Tenta- se adivinhar no rosto dos jovens as linhas dos seus progenitores como se se parasse o tempo e se fizesse o filme da nossa vida andar para trás, num exercício de recordação e imaginação.



Há novas casas , famílias novas , muita gente que não conheço , porque perdi uma ou mais gerações , mas mesmo isso , esse grande período de tempo aqui não vivido , em que a vida continuou correndo em permanente criação , não me entristeceu tanto como em outras ocasiões tendo - me trazido até uma prazenteira sensação de comunidade e de família, de partilha e comunhão.

terça-feira, 23 de março de 2010

Nostalgia em Março

De vez em quando bate uma nostalgia que sobrevém e se instala com magnificência , deixando - me encostado a um canto de mim , com o coração apertado e com uma vontade de molhar o rosto com a água da alma.

Há momentos em que sou assim invadido e quase nada posso fazer.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Sábado

Fevereiro invernoso , calamitoso e pantanoso!



Confusões que chegam até nós pela televisões frenéticas , ávidas de desgraças e de desconfortos e que propagam com velocidade maior a miséria moral.



A metereologia parece fazer parte de um cenário pré dantesco.



Portugal vive uma vez mais dias de angústia e de desânimo por causa de uns tantos videiros que , repetidamente , enlameiam o território , conspurcam o ar que se respira , destruindo lentamente o que resta da Pátria .



Mas a nós , aos outros , aos que não estão sujos nem conspurcados e que não querem nunca fazer parte da imundície , cabe - nos o dever de deixar o bovino olhar e actuar. Começar agora a agir , com obstinação e tenacidade , diáriamente , a todo o instante.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Magnólias em flor


Magnólias em flor, com as pétals dançando ao som do vento ...


Depois , caminhámos !


O frio de Fevereiro enrubesceu o nosso rosto, com sorrisos.


O jardim , permanecendo em silêncio de inverno , fez - nos sonhar com a primavera.


Debaixo das pétalas dançando, fomos felizes por um bocado.


domingo, 3 de janeiro de 2010

Ana,uma outra vez Ana

Levanto - me cedo , perturbado pelo insistente pensamento com Ana , ao mesmo tempo acre e doce , que não me deixa tranquilo.


Não deixo de ser adolescente.


Em muitos aspectos da minha vida parece ser o unico estado que conheço e de onde não quero arrancar. Tenho dito a mim mesmo que nem tudo precisa de continuar igual e este é um ponto onde , definitivamente , é preciso mudar. Mas nem sempre é fácil. Há comportamentos que ,de tanto se repetirem, vão cavando sulcos que só tendem a aumentar e de onde depois não se sai facilmente.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Ano Novo, amizade antiga

Fim de ano em casa do Jorge com os amigos «alentejanos».

Um bom jantar , bem regado , nada de muitos exageros nem de muita confusão mas com uma boa conversa ,amena e franca , pelo menos eu assim a vi , com bons momentos de confraternização.

O Jorge anda animado com a nova namorada que apareceu em dois momentos diferentes , repartindo o tempo entre a sua família natural e esta «nova» família , digamos , de acolhimento acrescentando um novo colorido à manta de cores que temos sido todos nós e que , apesar de se manter firme e tensa parece, a espaços , querer ficar um pouco desbotada .

Conheço o Jorge há já muito tempo , talvez mais de vinte anos , e é sem dúvida o meu amigo mais próximo e chegado e aquele que melhor me conhece e entende. Somos bastante diferentes , em algumas matérias estamos nos antípodas um do outro , mas isso não tem impedido que a nossa amizade se tenha vindo a fortalecer à medida que o tempo vai avançando.


E isso é bonito e saboroso. É bom ter um amigo assim...


Precisa de ser regada , a amizade , tal com as plantas que sem água murcham e morrem.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Momento de tempo

Um silêncio profundo envolve o espaço e o tempo.


Parou de chover e dentro de casa está agora quente e acolhedor. Quase nada se ouve. Apenas o silêncio impera como um oceano onde tudo parece igual mas onde tudo está permanentemente em movimento.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Família e Natal

Que horas são , interrogo - me.

O tempo passa devagar quando não temos nada para fazer , quando não há horários nem obrigações a cumprir . Mas não deixa de passar , isso não! Continua a sua caminhada , silencioso , imperturbável na sua cadência , certo e determinado.

O ano está prestes a terminar. Mais uma horas e começará tudo de novo , tudo igual , tudo diferente . Para mim torna - se mais clara e precisa a sensação de estar cada vez mais próximo do fim o que , espero , venha ainda longe.

Passou depressa este Natal.

Apanhei frio , comi bem e conversei um pouco com a minha mãe sobre a família e a sua diversidade. Sobre o passado , o presente e o que poderá ser o futuro.

Não é muito de falar a minha família! São mais as coisas que não se dizem do que as ditas e isso origina por vezes mal-entendidos , confusões e algumas angústias.Sobretudo desconhecimento. Desconhecimento sobre o outro mas também sobre nós próprios relativamente a esse outro ou outros.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Zon

- Tem televisão por cabo? - pergunta - me uma preparada voz telefónica na tentativa de me vender um pacote de serviços , como agora é costume dizer - se.

- Sim , tenho , mas não estou , para já , interessado em mudar de fornecedor - respondo - lhe educadamente.

- Compreendo - diz - me com firmeza - mas ouça por uns minutos as vantagens desta proposta que lhe vou fazer agora e diga - me depois se não valerá a pena mudar!

E durante uns minutos lá fui ouvindo as supostas vantagens do serviço prosposto , debitadas numa voz compassada , determinada e profissional que quase me convenceram.

- Olhe , na verdade , parece - me competitiva a proposta mas vou continuar com o serviço que tenho - disse - lhe com ar definitivo, rematando de seguida - de qualquer modo , obrigado.

- Boa noite e obrigado pela sua atenção - respondeu - me , pondo fim assim à chamada telefónica.

Lá fora a chuva caía intensamente e dentro de mim ressoaram por breves instantes as palavras trocadas com o operador do call center .

Voltei ao computador e à pagina da Internet onde estava antes da chamada telefónica e por ali fiquei flutuando mais um pouco até que o frio da noite me empurrou até ao sofá , onde , debaixo da manta , adormeci com a televisão por companhia.

Sonhei com ela e em como poderíamos ser felizes juntos. Visualizei todos os detalhes do seu rosto vezes sem conta , principalmente a doçura do seu sorriso e como isso me deixava feliz .

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Copenhaga

Decorre por estes dias a cimeira sobre o ambiente e claro que se esperaria que alguma mudança positiva se lhe sucedesse.Talvez pouco mude na verdade mas pelo menos , por muito pouco que isso signifique , será tema de abertura dos noticiários e porventura de mais alguns debates televisivos representando dessa forma mais um audível alerta para todos aqueles que ainda pôem o tema em posição subalterna e sistemáticamente pensam que o problema não é deles mas sim de outros.



Ninguém poderá ficar de fora deste assunto porque a todos diz respeito;mais tarde ou mais cedo e , pelo que se vai sabendo , será mais cedo do que tarde.

sábado, 28 de novembro de 2009

Sem medo?

Vindo ainda agora de Coimbra , onde a pós graduação me vai mantendo ocupado , entro no silêncio da casa e é como se entrasse num outro universo .


Um tanto confuso como se tivesse saído da manga de um avião após uma viagem a um outro país venho com outras ideias e um outro espírito mas , tal como sucede depois de uma verdadeira viagem , lentamente vou sendo atingido pelo ambiente que me cicunda e vou replicando em mim a atmosfera que nele respiro e assim de novo me torno no eu que aqui sou , neste local que quase nada me diz e com o qual não me identifico. E esse eu é um ser revoltado , zangado com o que o rodeia mas , ao mesmo tempo , pouco activo , pouco efectivo , que não tem sido capaz de mudar o estado de coisas.

Muito depende da nossa força de vontade - vem uma voz que se ergue por detrás de mim , informar - muito depende do que realmente queremos para nós, repete.


Ah! mas há tanto tempo que vivo assim ,há tanto tempo que espero que seja o tempo a resolver as coisas que não sei como agir de outra forma - retorqui como se um condenado fosse, condenado a esta pena capital de viver sob uma espécie de uma força maior que esmaga e comprime.



Tens que perder o medo de perder. Lembra - te que o que hoje se perde poderá amanhã ser compensado com outra coisa melhor , mais positiva , que te faça sentir mais incluido , mais humano.

sábado, 21 de novembro de 2009

Brisa fria

Pela fresta da janela , uma brisa fria , atinge o meu corpo .

Lá fora , o cinzento no céu , acentua - se e a chuva , ainda agora uma ameaça , parece ser já uma realidade.

domingo, 8 de novembro de 2009

O que há entre nós?

O que há entre nós? - perguntou - enquanto descia a sua mão direita pelo cabelo liso , acastanhado , e me olhou com aquele olhar que eu já havia perscrutado antes. Caminhava , agitada , de um lado para o outro na sala quase vazia e que me pareceu enorme naquele instante em que parou e me interrogou daquela forma directa , diria até brutal e , inesperada , sim , muito inesperada.

Não conseguia deixar de a ver ainda deitada sobre a toalha estendida na areia branca da praia , naquele dia de Agosto , quando a revi ao fim de uns anos em que as nossas vidas se separaram , e de me lembrar muito vivamente da estranha sensação que tive nesse dia quando o meu corpo não mais obedecia às ordens do cérebro e começou a tremer incontroladamente como se tivesse sido atacado por um estranho e desconhecido vírus.

Estávamos agora um frente do outro com aquela pergunta pairando no ar e senti a atmosfera a adensar - se como se de repente um nevoeiro espesso se tivesse instalado e os meus olhos deixassem de ser capazes de ver com nitidez.


Fiquei atrapahado , confesso. Senti - me como um adolescente , tal como me sentira naquela tarde de Agosto , na praia , quando a vi de biquini e o seu corpo elegante me catalputara até fora de mim , para uma dimensão onde o meu raciocinio não era mais o comandante .

sábado, 26 de setembro de 2009

Analgésico

Porto e Sporting digladiam-se no Dragão e no frisson habitual que a telefonia propiciona vou escutando as emoções dos lances e o entusiasmo dos adeptos , relatados com energia frenética pelos locutores animados.

Amanhã o País vai a votos para escolher , por um período de quatro anos , ou talvez menos , os governantes da coisa pública . Livrámo - nos da execrável campanha mas por pouco tempo dado que se seguem as autárquicas e de novo voltam os mesmos e outros ainda a infernizar a vida daqueles que , como eu , estão descrentes da politica e dos politicos, fartos de tanta porcaria , de tão pouca seriedade e de escasso esclarecimento.

Setembro está quase no fim. Estamos no Outono.
Contudo nestes ultimos dias o calor lembrou - se de nós e trouxe - nos um Verão tardio , de temperaturas elevadas e céu azul e que hoje me conduziu até à praia de onde acabo de chegar.

Tenho vivido com uma tristeza arreliadora , perturbante até porque não a tenho conseguido comunicar .

Estou um pouco melhor agora que falei e desabafei . Como me disse , falar é como tomar um analgésico , alivia a dôr no imediato mas , avisou - me , não cura a «doença» se «doença» existir.

Bem - haja. Obrigado

sábado, 29 de agosto de 2009

Fim de férias

Estão a acabar , as férias.

Passam sempre mais rápido do que imaginamos. Quando nos começamos a ambientar , digamos assim , a um outro ritmo de vida , mais lento e prazeroso , pimba , lá vem a realidade estragar tudo e dizer - nos que há horários para cumprir e trabalho para ser feito.

Mais dois dias de «liberdade» e lá voltarei à rotina que a minha sobrevivência impõe. Não estou sózinho , resta - me essa consolação.

Não é que o meu trabalho me arrelie muito ou até me canse em demasia mas já não sinto a adrenalina e o entusiamo que um dia senti e há alturas em que me sinto farto desta "vidinha" .

Nos dias que correm é até um pouco sacrílego um desbafo deste género , tal é o desemprego que grassa mas , na verdade , há épocas em que trocaria a minha vida rotineira e certinha por uma qualquer outra com mais aventura e indefinição mesmo sabendo que poderia perder a segurança que esta me fornece.

Assim é! nunca estamos satisfeitos com o que temos...

Ana Filipa

Pouco me resta agora que o cansaço se abeira; pouco mais que a miragem do teu rosto , o som afastado da tua voz , o brilho entrevisto do teu olhar .

Vem então uma tristeza amiga para ao pé de mim , fazer - me companhia.

Não sei se realmente existes ou se és apenas filha do desejo .

És tu quem levo para dentro dos sonhos , és a escultura em mármore branco esculpida na imaginação.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Um instante do tempo

Com o corpo estirado no sofá , voltado para cima , olho o tecto branco , vazio , aguardando que lá de cima venham as respostas às interrogações que surgem ou simplesmente deixando os pensamentos vogarem soltos , sem resposta .



Fecho os olhos e afundo - me então um pouco mais dentro de mim , respirando pausada e profundamente , sentindo o ar entrando e saindo , promovendo algum ruído , tal como aprendido nos exercícios respiratórios do yoga e lentamente tomo uma consciência maior de mim e do universo a que pertenço .



Na quietude da sala de minha casa , onde mais ninguém se encontra , estabeleço por momentos , cuja duração é subjectiva , uma conexão harmoniosa comigo e com a consciência de mim próprio , do elemento vivo que sou e do conjunto maior a que pertenço.



Repito uma , duas vezes mais , e parece até que , por instantes , o tempo se imobilizou e que tudo à minha volta se encaixou correctamente , formando um todo equilibrado e com sentido.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O tempo

O tempo passa , inexorável , deixando toda a espécie de marcas e traços , desde os que se podem ver aos outros não visíveis mas igualmente tão significantes.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Ao acaso

A tela em branco , a folha vazia , a angústia do começo .



Pode escrever - se sem que haja um trilho prévio , como quem se embrenha numa floresta sem a conhecer antes , pelo simples prazer de andar ou pelo gosto da aventura e descoberta .



Também com as palavras se pode descobrir algo novo ou redescobrir o temporáriamente esquecido ou o colocado à parte pela trama própria da memória.

Fecho os olhos .

sábado, 1 de agosto de 2009

Erros

Desde que me lembro de ser gente que tenho dificuldade na socialização , nas relações com os outros .

Por isso , a certa altura , fugi do convívio mais alargado e superficial e fui reduzindo o meu círculo de amigos .

Mesmo assim , com menos gente directamente envolvida na minha vida mais íntima , nunca fui muito bom a lidar com as adversidades e as contrariedades que sempre e naturalmente surgem da convivência com os outros.


Tive mas ainda tenho dificuldade em aceitar um não , talvez porque tenha sentido mais do que hoje contudo sinto igualmente dificuldade em dizer não ; sobretudo tenho dificuldade em lidar com o imprevisto , característica muito pouco facilitadora das relações , dado que estas estão cheias de imprevistos.

Nós não somos máquinas , e ainda bem , pelo que nunca funcionamos da mesma forma mesmo quando as circunstâncias se assemelham. E se , apesar de tudo , agora talvez já esteja um pouco melhor - pudera , também ! ... - nesse e porventura noutros aspectos, ainda faço muita antecipação de momentos que ainda não ocorreram , ficando estupidamente nervoso e ansioso por causa disso e , carregado por essa ansiedade , comporto - me imensas vezes de uma forma não adequada , pouco natural ou pouco autentica e em outras vezes chego mesmo a comportar - me de forma imprópria e inconveniente e ainda , talvez pior do que tudo o resto , chego umas quantas muitas vezes a assumir um comportamento pouco educado , antipático ou mesmo rude.

Ana

Choveu.


Começou molhado este Agosto obrigando - me a alterar os "planos" imaginados para o dia de hoje.


R. não respondeu à minha mensagem que na verdade se destinava à sua amiga Ana. Ana é uma mulher ainda jovem , atraente e dona de um corpo que me remete para as esculturas gregas que vi no Louvre em Fevereiro. Corpo enxuto , fibroso mas suave , delicado , que apetece tocar levemente de uma ponta a outra , sem qualquer interrupção , se assim me posso exprimir.


Está , assim me pareceu , amargurada e um pouco triste, o que se explica depois de um divórcio cujos contornos e pormenores desconheço e que pôs fim a um curto período de quatro anos de casamento.


Não me sai da cabeça desde sábado passado. Desde esse dia que volta e meia dou por mim em voluptuosos pensamentos que a envolvem.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Evocando Mónica

Tenho , por vezes , a sensibilidade de um elefante em loja de porcelanas e uma impaciência semelhante à de um tigre esfomeado não obstante dar por mim umas outras quantas vezes a contemplar a doçura de uma flor ou o encanto de um sorriso como se da primeira vez se tratasse.
Sou , como qualquer ser humano , contraditório , confuso , tenho medo e receios , dúvidas e angústias e , especialmente nesses momentos , meto os pés pelas mãos as mãos pelos pés e nunca digo ou faço a coisa certa.
E assim foi desta vez. Que diacho de importância tem o facto de ter escrito descubrir e não descobrir. Toda a gente entendeu , porra... !

Descobre-se como bem se entende e como bem apetece . O importante é descobrir ! E foi isso que você fez .

Importa fazer o caminho , os caminhos ...

Importa que continue a escrever . Importa que continue a descobrir

terça-feira, 28 de julho de 2009

Silly Season

Estamos a caminhar para o pino do Verão e esta época é normalmente muito propícia e propiciadora da asneira .
Possivelmente será o calor que , junto do cansaço acumulado de um ano de trabalho , redunda em disparate por todo o lado.Eu próprio me sinto umas quantas vezes atraído a esse abismo e quando noto , lá estou eu também a fazer figura de pateta alegre , esfuziante como uma bala perdida , convencido de ter um comportamento acima de qualquer crítica .

Cada pessoa nasce para cumprir um projecto , ouvi na rádio um destes dias . É uma ideia de um filósofo cujo nome não fixei e que faz para mim sentido. Por projecto pode entender - se tudo ou quase tudo. Ser feliz , por exemplo , é um projecto . É até por acaso um projecto que é comum a muitos de nós e é quiçá o meu principal projecto.

Não é fácil , como se sabe.

Há muitos de nós que , por capricho da sorte , têm muito em que pensar antes de poderem pensar em serem felizes pelo que , no que a mim me diz respeito , muito do projecto de ser feliz , já estava , logo à partida , cumprido.Tive assim o trabalho facilitado quando comparo com aqueles que nasceram em condições de vida muito mais constrangedoras , material e espiritualmente falando.

E o que liga a primeira parte deste post com esta segunda?

É que na tentativa de atingir os nossos objectivos fazemos muitas vezes coisas muito disparatadas.

É do calor...

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Interrogação

Serei um irascível fleumático ou um fleumático irascível?

Aprecio a calma mas muito rápidamente fervo em pouca água.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Vânia

Uns olhos bordados em pele de linho , como flores em Primavera inicial , abriram - me um inesperado sorriso e atrapalharam - me as palavras . Lá fora a chuva caía , em lágrimas de um pranto imenso. Uma rajada de vento fez - se escutar e a nossa atenção saltou , por instantes , pela janela .

- Gostava de saber falar francês , disse - me .

Ao mesmo tempo , encostou - se à parede de uma forma estranha e despropositada como se me quisesse dizer alguma coisa que não entendi. Não entendo as mulheres , pensei. Não entendi porque se encostou daquela forma tão sensual à parede fria da sala.

O céu plúmbeo desceu à terra e acabou com a democracia das cores. Tudo estava cinzento: de cima abaixo.

Não compreendo as mulheres , pensei de novo e , receoso , disse - lhe que o meu francês também não era assim muito bom e que por isso, talvez fosse melhor escolher outro professor para lhe dar umas lições. Disse - o em francês , para impressionar.

Talvez fossem já umas onze horas da noite quando me lembrei disto. Bebia então um chá e ouvia musica clássica , sentado no meu sofá. Lá de fora ainda se ouvia a chuva a cair , mansinha.Depois deitei - me por um bocado.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Frio

Choveu durante a noite e agora pela manhã faz um frio inesperado para esta Primavera que começou quente , a fazer lembrar o Verão.

sábado, 4 de abril de 2009

Pela estrada fora

A grande estrada abre - se à minha frente ladeada de árvores cujos nomes nem todos conheço , talvez um carvalho já aqui deste lado e mais à frente um castanheiro , depois , no interior do campo , oliveiras que pontilham a terra seca revolvida e ainda mais oliveiras que se vão espalhando por toda a paisagem , fazendo uma silenciosa companhia. Dentro do carro a música isola - me do mundo exterior levando os meus pensamentos para lugares diversos flutuando livremente no pequeno espaço interior , batendo uns contra os outros , sem choques dramáticos.


Está um belo dia de sol límpido que atrai a boa disposição e o bem estar e talvez por isso há uns pensamentos sobre a beleza , sobre o amor e ainda sobre a paz que , embora breves , me deixam mais feliz.

De quando em vez passa um carro em sentido contrário exigindo - me mais atenção ao real mas rápidamente volto à névoa formada pelos cigarros que já não fumo.

sábado, 28 de março de 2009

Equinócio

Abre - se um buraco por onde caio e onde fico um tempo que nunca é certo.


O equinócio da Primavera exerce sobre mim uma força negativa que não consigo controlar que me deixa próximo da depressão.


O buraco é um grande vazio que não consigo encher com nada. As emoções vão para qualquer sítio longe de mim e perco a humanidade , o gosto pela convivência e o prazer de estar deixa de existir.


Quase só o sono me traz alguns momentos de tranquilidade , breves instantes que pela manhã se esboroam.

Inspiro fortemente , uma , duas vezes.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Aperto

Oh meu Deus que agonia!...

Para onde me levaram os meus descuidados passos?!...

domingo, 22 de março de 2009

Futebol

Há esta coisa do futebol que neste País parece assumir pontos de estultícia ou de demência . Talvez se deva ao facto de sermos um lugar pequeno e onde quase nada acontece - ainda bem , dirão alguns , quando se lembram de outras perdas de faculdades mentais de outros lugares relatadas amíude nas televisões.

Muitas das vezes , a maioria , o futebol , em particular o português , irrita - me. A grande maioria dos poucos jogos que vejo ou melhor , de parte deles , são tão fraquinhos , tão fraquinhos que não consigo entender de onde vem a atracção exercida por este jogo no adepto tuga.

Depois há sempre as tricas e o falatório. As tricas do jogo , no relvado e fora dele : entre os jogadores , entre os dirigentes , entre os adeptos. É quase só tricas , dúvidas , erros , as faltas e as supostas faltas . O árbitro que quase nunca arbitra mas que rouba sempre. É , há sempre um roubo , um roubo que leva à indignação e à revolta por uma boa parte da gente . Na hora , nas horas a seguir , nos dias a seguir , nos meses a seguir, meu Deus , nos anos a seguir aos jogos .
E há também o falatório , o falatório sério com direito a imenso tempo de antena , distribuido por todos os canais , por todos os os jornais e que se estende para os escritórios e para a rua , para quase todo o lado , inútil , oco , sem sentido.

Costa Nova

Encosto-me ao paredão , num pedacinho livre , ao pé de uma mulher em top less que talvez se tenha sentido incomodada com a minha presença porque vestiu a parte de cima do bikini e pouco depois mudou - se uns metros mais para cima. Eu próprio também me mudei , incomodado pela maré , ameaçadora , e fiquei agora distante do paredão.

Aproveito o dia de sol e de pouco vento que fez hoje mas na verdade não consegui esquecer a solidão que me acompanha e parece ter - se colado de forma resistente. Ensaiei ainda um pouco de leitura mas a minha cabeça não está em paz . Instalou - se um vazio preocupante que não deixa entrar quase nada. Parece que quanto mais só estou menos vontade de conviver tenho. Um ciclo perigosamente vicioso.

Vou até à esplanada junto da marina onde me sento e como uns rissóis , uma bifana e que empurro com uma imperial. Ao mesmo tempo observo uns jovens que acabaram agora mesmo uma regata de vela nas tarefas de arrumação das embarcações. Lembro -me dos tempos em que com o barco do meu pai também eu me ocupei das árduas tarefas que vêm depois dos prazeres que a água e os barcos proporcionam.

Vagueei em direcção ao mercado na expectativa de encontrar uma loja onde comprar uns chinelos. Sem grande animo entrei em três lojas mas nada vi que me agradasse e vim para aqui , para casa ,onde escrevo estas linhas.

segunda-feira, 9 de março de 2009

The Reader

"Será que não me devia ter alistado nas SS?" , pergunta Hanna ao seu inquiridor em pleno tribunal quando confrontada com os delitos cometidos por aquela força no horror dos campos de exterminio.

Teria à volta de 2o anos quando tomou essa decisão , uma escolha porventura ingénua , tomada num contexto especial , nunca imaginando as consequencias ,não sonhando no que se viria a tornar o poder nazi e o absurdo inominável em que tudo se tranformou , acabando num dezprezo indizível pela vida humana , de que Hanna foi também vitima.

Pagou com a sua própria vida pelos erros que foi obrigada a cometer numa abnegação para lá do razoável

domingo, 1 de março de 2009

Cinema

Ontem fui ver o Casamento de Rachel , um curioso filme sobre as disfuncionalidades das familias , eventualmente com alguns clichés , abusando um pouco dos movimentos da camara , talvez com palavras a mais mas que me deixa , entre outras , a mensagem que o passado não se pode modificar , que apenas e sómente o podemos mudar na forma como o vivenciamos no presente. Disse - me ainda o que de há já algum tempo a esta parte sei , que cada um de nós é uma ilha , um território psico fisico único , que tem que encontrar ou construir pontes para se relacionar com os outros.

Domingo

Domingo é sempre Domingo. Dia diferente quase sempre. O corpo acompanha o espírito na vontade de descanso e tranquilidade.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Louvre



Hoje foi dia do Louvre. Um lugar fantástico , repleto de interesse , enorme , infindável , um mar imenso de sensações que a arte proporciona. Escultura grega e pintura italiana renascentista , foram as alas vistas com um pouquinho mais de detalhe. Mona Lisa e Vénus de Milo , são os incontornáveis. Mas há tanto , tanto , que , tal como leio no guia da Lonely Planet que levo emprestado , são nove os meses necessários para ver todo o museu. Porventura falso dada a quantidade de obras de arte expostas e a impossibilidade de medir com rigor o tempo que cada uma delas leva a ser apreciada por quem a observa. Esse tempo varia em função de muitos factores: do conhecimento do que se vê à sensibilidade de cada um de nós , do cansaço com que se está à quantidade de pessoas que se encontra junto das obras.
Fiquei parado em frente de algumas das esculturas gregas , peças maioritáriamente em mármore , de acabamento e detalhe perfeitos , simplesmente porque as peças comunicam com os sentidos , arrebatam pela sua beleza, pelo seu requinte. Depois , estamos em frente de obras que atravessaram séculos de vida , séculos de Historia.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Flanando sem rigor




O cansaço hoje começou a fazer - se notar mais fortemente , principalmente nas pernas. Ao mesmo tempo , o entusiasmo efervescente dos primeiros dias a esta revisitada PARIS esvaneceu - se um pouco e misturou - se ainda o sentimento menos nobre de uma certa inveja daqueles que podem usufruir esta cidade , daqueles que aqui vivem . Em conjunto essas três sensações fizeram com que o dia de hoje não fosse tão vibrante como os dois que o precederam.

Mas Paris é Paris , uma cidade fantástica , recortada a todo o instante por locais que nos remetem para a cultura e história , para a literatura e pintura , de uma arquitectura exemplar e especial , em particular aqueles icones mundialmente conhecidos que , quando vistos pelos próprios olhos , de perto , arrebatam os sentidos e nos deixam , me deixaram , por instantes , num silencio respeitador.

Começamos o dia subindo até ao Sacré Coeur , percorrendo um pouco essa zona de Montmartre , hoje um lugar de puro turismo outrora lugar de artistas como Degas e Renoir , para citar apenas dois.

Descemos depois ao Pigalle percorrendo um boulevard onde o sexo é o tema dominante , anunciado sem pudor ou vergonha a qualquer hora , com lojas e salas de espectaculo com ele relacionadas de um lado e de outro .Parámos um pouco mais tempo em frente ao famoso e conhecido Moulin Rouge , que àquela hora da manhã já registava uma razoável fila , não sei se para reservar ou para assistir a algum espectáculo.

















Como os japoneses , tirei muitas fotografias , sempre , a toda a hora , na esperança de trazer comigo tudo aquilo de que não pude usufruir totalmente.


Sou um tanto forreta .Por natureza e agora , acentuadamente pela força das actuais circunstancias económicas. Não consigo fácilmente deixar de lado a questão do dinheiro. Por aqui a todo o instante isso me tem acompanhado. A vida é mais cara que em Portugal , já se sabe , logo , o nosso poder de compra desce e desce tanto mais quanto maior é o interesse turistico dos locais que se visitam: se se está proximo de um ponto altamente concorrido , como por exemplo a Notre Dame , o preço das coisas sobe em flecha. Falemos do café por exemplo, que pode custar um euro , euro e vinte numa ruinha normal mas que junto ao Sacré Coeur , Notre Dame ou na Ile de St Louis poderá custar de 2 , 3,50 ou mais euros. Um cafézinho ... é muito para um forreta , relativamente depauperado pela crise.

É assim o mercado. A lei da oferta e da procura no seu melhor.

O ponto seguinte será La Defense . Zona mais afastada do centro , de arquitectura moderna e arrojada , local onde grandes empresas francesas têm sedes e onde se encotra o Grande Arche , obra imponente do tempo da presidencia de Mitterrand. Impressiona pela dimensão dos edificios e das praças mas não é tão humano nem tem tanta gente como as antigas e tradicionais zonas de Paris

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Caro Mio


A japonesa pergunta - lhe se caro mio é mon cher mas ele não entende e responde - lhe apenas que mon chér its french.

Japoneses aos montes por estas bandas vão fotografando tudo como se as máquinas fotográficas fossem capazes de guardar dentro delas os instantes que se respiram .

Hoje foi um outro dia de muita caminhada tendo como primeiro lugar de visita a torre Eiffel e as suas imediações , os pequenos mercados de víveres ao longo das ruas estreitas , de bons preços e de muita diversidade.


No Campo de Marte - Champ de Mars - espaço verde entre a Escola Militar e a Torre Eiffel , para além dos muitos turistas , há pessoas que aproveitam a manhã para fazer o seu jogging , apesar do algum frio que se faz sentir e outras que andam simplesmente passeando sózinhas ou em companhia dos seus cães .


Chego ao fim do dia cansado , incapaz de elaborar um pensamento com lógica e vou neste momento ouvindo a conversa entre a japonesa e o recepcionista do hotel que vão trocando conversa mole sobre as suas vidas , sobre os seus conhecimentos de linguas e enumerando os países visitados. Ela , divorciada , talvez queira mais do que conversa , digo eu. Ele diz que está com uma dor de cabeça e com um principio de constipação talvez querendo dizer que não estará nos seus melhores dias. Hora da minha retirada , eterno medroso das doenças em geral e das constipações em particular.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Paris


Escrevo em Paris , sentado no hall do Hotel Opera Deauville onde nos instalámos hoje por volta das 14 horas locais.Estou cansado como sempre acontece depois das viagens cuja planificação nunca consigo fazer de forma a que não fique com algum stress e ansiedade.
A minha cabeça vagueia em direcções distintas em pouco tempo o que quer dizer que há alguma confusão nos meus pensamentos.
Já fomos até a Place de la Concorde , atravessámos o rio e caminhámos até ao museu D'Orsay sem que , no entanto , tivéssemos entrado , dado já estar fechado.
Achei fantástico este primeiro contacto com Paris pois foi como se tivesse recuado no tempo e passeado um pouco pela História . Qualquer lugar nos remete para qualquer acontecimento do passado e os edificios , para além da elegancia externa notória , deixam perceber pela sua imponência um significado muito para lá do visível.

domingo, 23 de novembro de 2008

Com um pouco de frio

Entardece.Um frio começa a chegar-se ao corpo e visto o casaco de malha que estava adormecido na cadeira do quarto, aconchegando-me.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Aeróbica ?

Encho - me de coragem e pergunto à professora se posso fazer parte da aula que havia começado há já algum tempo.
Sim , entre , reponde - me , sem interromper o exercício.
Envergonhado , um tanto acabrunhado , junto - me à sessão onde só estão mulheres e tento imitar , a maior parte do tempo sem grande sucesso ,o que vejo fazer à minha frente: perna para a frente depois para o lado, em cima do step , alternando entre a esquerda e a direita , a seguir uma volta , tudo num ritmo forte acompanhado por musica adequada.

De quando em vez espreito os corpos femininos que se movem à minha frente e ao meu lado com muito mais coordenação do que o meu e há uma rapariga , bastante jovem , cujo corpo já passou pela praia ou pelo solário que me reconcilia com o lado belo da vida e me faz ter fé e esquecer o cinzento que tem colorido ultimamente , sem razão objectiva , os meus dias.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Regresso / Engano ?

Devagar , subo as escadas em direcção ao apartamento do 2.º andar , um pouco ansioso pela expectativa de me encontrar com quem há muito tempo não vejo mas assim que toco à campainha e me abrem a porta a desilusão é total , uma espécie de abismo abre - se instantaneamente à minha frente e fico com uma vontade enorme de dizer que se tratou de um engano , que não era o segundo direito que procurava mas sim o segundo esquerdo e virar as costas , zarpar dali a toda a velocidade , esquecer que algum dia , alguma vez meu deu vontade de revisitar o passado , de remexer no baú das memórias .

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Pontilhado



Por entre as memórias percorro o caminho que me leva até à espuma do tempo e vou vagueando , meio perdido , pelas recordações que se erguem vivas , umas , mais esquecidas , outras e , aqui e ali , uma lágrima de saudade desce inadvertidamente pelo rosto cansado dos dias , marejando o olhar que se tenta erguer até ao horizonte do futuro.

Não é lugar nem tempo para o arrependimento , nem para a mágoa , nem para a espera. O tempo e o lugar são , como sempre , o de viver em pleno e o de seguir em frente.

terça-feira, 11 de março de 2008

Lágrima

Procuro em vão as palavras que encham o vazio mas no vazio nada floresce.

Tenho medo que partas , tenho medo de ficar sem ti.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

O amor

O Amor , sempre o amor , redentora pomada qua amacia a alma e humedece os lábios.

Sem ele talvez a vida não faça sentido e com ele a vida se pode complicar.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Medo

Não se pode viver com medo. A mente e o coração têm que se unir na luta contra o medo , seja ele de que natureza fôr.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Horizonte

Frágil como a luz da vela que persistentemente tremula , aqui estou , escutando as ondas do mar , expectante como um menino sonhador , imaginando ao longe os teus cabelos esvoaçando entre as nuvens brancas no horizonte.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Murmúrio

É tarde. Irei dormir daqui a pouco.
Antes , as palavras surgem do nada e vão invadindo o silêncio que entretanto se foi criando.
Estou calmo!
Ouço agora , ao longe , um murmúrio , talvez imaginário , talvez real , não importa .

Recordo R. Não sei bem porquê , recordo - a. Recordo a sua juventude , o seu sorriso , a sua pele lisa e a forma alegre como costuma dançar. Recordo principalmente a sua juventude.
Partiu por este dias. Não a verei por um bom espaço de tempo.

Relembro ainda as ondas brancas do mar.

domingo, 30 de dezembro de 2007

Nostalgia

Acordei tarde . Não senti ninguém. Talvez tivessem saído !
Fiquei um pouco mais no quarto , ainda baralhado por um sonho que tivera e que tentava recordar mas que se esfumava à medida que a consciência ia tomando o seu lugar.
Não me lembro das horas.Talvez não fosse muito tarde . Uma espécie de vazio fez - me sentir o unico habitante do planeta. Estranho! Tenho saudade desse momento apesar de me ter perturbado. Já não me lembrava dos meus sonhos há já bastante tempo e por isso lamento não ter conseguido perceber que mensagem o meu inconsciente me quereria transmitir. A falta de prática foi fatal.

Estou agora um pouco triste por causa disso.

sábado, 29 de dezembro de 2007

Silêncio

Um silêncio de pedra enche - me os pulmões com tanta força que acabo mudo.

Lá fora , na rua , uma carro passa vagarosamente sem ruido entre as arcadas que as copas das arvores formaram ao longo do tempo.

As folhas esvoaçam a uma pequena altura caindo de seguida de novo para o chão húmido que as acolhe e onde ficarão até que o vento as remova.

O céu acinzentou - se agora , entre desejos confusos que me atrapalham os dedos fazendo - os hesitar.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Natal

Um retorno , uma revisitação do passado , uma viagem aos locais esquecidos da memória.


Um trajecto com momentos difíceis mas , simultaneamente , retemperador , do corpo e da alma .

Come - se demais , principalmente doces que estão por todo o lado, rabanadas , sonhos , filhoses e companhia limitada , algo ilimitada.

Choveu , em 25 , como uma prenda dada , mas de curta duração. Depois foi o sol que esteve , acompanhado de algum frio , que é da época e , entre as memórias do passado e as palavras do presente , se compõs o presépio familiar .


sábado, 22 de dezembro de 2007

Pré - Balanço ?!

Aproxima - se o fim de mais um ano e parece natural fazer - se um balanço : do que se fez bem ,
do que correu mal , do que poderia ter acontecido e não aconteceu , do que se disse e do que se deixou por dizer , etc. .


Agora , no momento em que escrevo , tenho a ideia que tive mais coisas más que boas , que errei mais do que acertei , que perdi mais do que venci , que , em suma , o lado pior que há em mim venceu a parte boa do meu ser , o que é , convenhamos , uma verdade bastante inconveniente .


O que relato , é da minha esfera muito particular , muito íntima , portanto muito desinteressante para quem porventura me lê mas é a forma que tenho de me ver ao espelho da alma tentando reconhecer as rugas que o tempo sulca no carácter e nos afectos e de perguntar se há ainda lugar para a emenda.



Por muito grande que seja neste momento esse desejo , não posso voltar atrás no tempo e , se isso tem o lado positivo que é o da esperança em que as coisas mudem e mudem para melhor não deixa , o lado negativo , de me fazer sangrar , largamente , por dentro.



Quem não teve , tem ou terá , contrariedades na vida? - pergunto a mim mesmo , zangado , enormemente zangado.


Se tenho saúde e conforto material que chegue , amigos e família que se preocupam comigo , porque sou eu afinal um revoltado ao ponto de quase ser infeliz?!

É na reflexão ponderada sobre a questão que a mim próprio coloco que talvez encontre as respostas e apanhe de novo os caminhos que me levem ao centro de mim , ao essencial de mim e de onde então poderei recomeçar o percurso em direcção ao que almejo.

Se o ano que está agora prestes a findar tem sobre ele - para mim e neste momento - uma nuvem cinzenta , tem igualmente (como o dia de hoje) e talvez mais perto do que julgo , um céu azul de possibilidades de melhoria e uma luz franca de esperança.

Neste ano que agora está perto do seu termo , conheci e reencontrei pessoas fantásticas e maravilhosas; quase todas elas pessoas simples mas de coração grande , algumas delas pessoas felizes , outras , pessoas cujas vidas atravessaram também momentos de angústia e infelicidade mas que , fazendo das fraquezas forças tentaram e permanentemente tentam vencer os problemas e ultrapassar os dias mais difíceis , seguindo em frente , de cabeça levantada e de coração esperançoso .

Com elas aprendi imenso e todas elas , cada uma à sua maneira , me deram lições de vida , ajudando a conhecer - me mais profundamente e contribuindo para a minha tranformação num ser humano melhor , menos egoísta e menos orgulhoso, mais solidário e mais compreensivo .

Por isso , sendo isso um tesouro valiosíssimo , a todas estas pessoas que , mesmo sem o saberem , me ajudaram e me ensinaram tanto ao longo de todo este ano , um enorme e sentido obrigado . A todas elas , mesmo àquelas que nunca lerão estas palavras , uma gratidão sem limites que espero ser capaz de retribuir em todos os dias da minha vida.


Feliz Natal!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Devaneio

Se não te agarrares tanto à vida e se encarares a morte como coisa natural talvez não te atormentes tanto , talvez não te consumas tanto , diz Mestre Eckhart .

Não temas então a morte e recearás menos viver , viverás mais livre e talvez sintas mais a vida a entrar dentro de ti.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

As Palavras

Umas parecem cristais , outras punhais se formam .
Vêm do coração , da razão?...
Umas são livres , outras não.

Com elas amo , rio e choro.
Em vão?!
Não.
Todas me comprometem , todas sou eu.

Pérola , orvalho , lágrima.
Palavras.
Do coração , da razão.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Cansaço

Há um cansaço que o tempo às vezes nos traz e que nos deixa um tanto à deriva , como se náufragos fôssemos ou se ébrios estivéssemos , perdidos ficamos.

Assim é este momento , em que o nada e o tudo se juntam, o sim e o não coexistem , o frio e o quente partilham o meu corpo , a calma e a inquietação perpassam o meu coração , a lucidez e a confusão atravessam o meu espirito.

Imagino o mar com as suas ondas caindo na areia . Imagino os cumes pacificos das serranias em bruma . Imagino o sorriso leve do rosto de uma criança e os traços suaves do teu sorriso desenhado pelo meu desejo.

Nos teus olhos de ontem vejo o dia brilhante de amanhã e ainda ouço o som das tuas palavras bailando na memória dos dias agitados que passam à infinita velocidade do esquecimento.

Minha mãe costumava embalar - me quando era pequeno;
hoje vi desenhados os esboços das histórias que eu não queria nunca deixar de ouvir.
Mas talvez se cumpra mãe !...
Afinal fui eu . Fui eu que pensei ter , por momentos , esquecido .
As tuas histórias vão perdurar , vão ficar dentro de mim como se nunca me tivesses deixado .

Obrigado mamã,
até amanhã.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Isto tem que andar c'os diabos mas para uma telenovela talvez nao...!


Infelizmente o tempo não dá para tudo e esta historinha até que tem a sua piada para além de ser uma forma divertida e engraçada de nos libertarmos das tensões do dia a dia sendo ao mesmo tempo um bom exercicio de oficina de escrita .

Por agora acrescenta-se o que já tinha sido escrito hà já alguns dias e depois logo se vê:



A vida é estranha! Nada acontece por acaso no entanto tudo é fruto do acaso.
Não é na ciência ou na religião, na observação apurada dos factos ou na fé, que se encontra uma cabal justificação para o fenomenal acontecimento que é estar vivo.
Conhece - se o processo próximo que nos leva a vir ao mundo e a nele sobrevivermos mas não há uma explicação integral , suficientemente satisfatória para demonstrar com evidência que determinado ser humano , por exemplo , você ou eu , estejamos por cá , da forma e com a forma e personalidade que temos.
Um mistério, digamos assim. Existir, ser – se gente, ser -se um singular e especialíssimo ser humano é de tal modo um caso fortuito que chega a dar vontade de rir, rir francamente, rir abertamente, rir desbragadamente.
E é preciso agradecer, agradecer diariamente, em todos os momentos, sincera e respeitosamente, ao caos generoso que aqui nos trouxe, cabendo – nos a de igual modo, verdadeiramente, a obrigação de fazer o melhor por nós e pelos que nos são próximos, também por aqueles que de nós estão mais afastados mas que são como nós e ainda pelos que não são exactamente como nós mas que, estando perto ou longe, connosco partilham este mesmo planeta, lugar onde todos vivemos, afinal a nossa grande casa e que por isso merece, também ele, uma especial e, por motivos menos positivos, infelizmente, cada vez maior atenção.

Rodou a chave, empurrou a porta e entrou na cabana deixando cair, logo junto à entrada, o pequeno saco com alguma roupa e objectos de higiene pessoal que com ele anda sempre no carro, digamos que para qualquer emergência, e pendurou, no cabide fixado na parede do lado direito, o casaco que trazia vestido. Pousou, de seguida, as chaves do carro na elegante e querida mesinha de madeira, de um só pé, situada um pouco mais à frente no corredor, do outro lado, e avançou até à ao amplo mas não muito grande espaço onde ficam a sala e a cozinha da casa.
No entanto , antes , deteve - se por uns breves instantes, que lhe pareceram durar uma eternidade, a olhar contemplativamente aquela mesa tão especial e singular comprada , hà já muitos anos , num dia de frio intenso mas de grande e quente alegria , numa feira de velharias da Covilhã onde costumavam ir , mesa na qual Rafael e Rita, tinham dispendido umas boas horas de dedicado mas prazenteiro trabalho de restauração. Não sei se essa é a razão que justifica que ambos gostem tanto dela mas a verdade é que têm por aquele objecto, de pequeno valor material, uma tal afeição e uma tão grande ternura que lhe atribuem um enorme valor sentimental fazendo dele, porventura, um dos objectos mais valiosos que possuem.

Até já!

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Passado , Presente e Futuro.

Sinto - me um jovem adolescente cheio de energia e vontade de viver e descobrir.
É um sentimento meio tolo para um adulto da minha idade mas a verdade é que me sinto assim , prenhe de vida , carregado de vontade de mudar o estado de coisas , capaz de , sózinho , mudar o mundo. É uma tonteria , eu sei , mas ao mesmo tempo é uma sensação tão compensatória e agradável que , se puder , não mudo de estado de onda.

Reconheço que , por fraqueza , me afastei de mim , que atirei para o lado (mas não para longe) sonhos que outrora tive , que não fiz o que devia ter feito em inúmeras circunstâncias da vida , que calei as palavras que a alma pedia para serem ditas , que não chorei as lágrimas que o coração reclamava , que não confortei o amigo quando ele precisou , que , oh! meu Deus , o que eu não fiz e tinha que ter feito! o que não disse e tinha que ter dito! e agora , agora , o meu corpo estremece e quase quer explodir , agora , agora a minha alma se inquieta aflita por saber que o tempo não voltará atrás , que nada mais poderei recuperar.

É o passado. Ao passado não poderemos voltar a não ser no carrinho da memória. O passado trouxe - me aqui , a este agora , a este hoje em que escrevo e respiro .Essa é uma herança que não enjeitarei. Esse é o meu capital de partida para o negócio que é o meu futuro , para esta grande empresa que será a minha vida de amanhã.

Há por isso no ar um perfume a vida nova . Espalha - se ao redor um aroma em que se sente alegria , riso e partilha.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Jasmim



Frio!...

Vã procura. Uma lágrima no coração.

Na lembrança do teu sorriso , desenha - se o meu.

domingo, 25 de novembro de 2007

Sentidos

Fecho os olhos e faço uma respiração mais profunda que me ajuda a unir o tempo : aproximo o passado do presente e entreabro a porta ao futuro.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

A avançar está mas para onde...?

Desde muito novo que era na solidão que buscava as primeiras respostas às suas angústias. Era uma questão de carácter, um traço da sua personalidade. Em face de uma crise maior ou num momento de grande confusão mental e emocional, a primeira reacção que por norma tinha, era o isolamento, era o afastamento das outras pessoas. A ida para o silêncio introspectivo, habitualmente feito em locais sossegados, longe de todos, nem sempre resultava, é certo, mas estava de tal maneira inscrita no seu código genético que, digamos assim, constituía uma resposta instintiva, uma forma de defesa natural que o seu organismo usava, mais forte portanto que a sua racionalidade.
Rafael, no entanto, ao longo da vida, sempre tentara contrariar esta natural tendência para o isolamento e logo no colégio, em Aveiro, a sua cidade natal, participou activamente em actividades colectivas, tendo feito parte do dinâmico grupo de teatro que então existia, bem como fora membro destacado da equipa de atletismo da escola. Na “Centelha”, assim se chamava o Grupo de Artes Performativas e Cénicas que existia no colégio, viria a aprofundar e solidificar a relação com Rita, sua futura mulher e viria a encontrar e conhecer Jorge e Mónica, namorados então e seus amigos ainda hoje, quase trinta anos depois. Foram tempos extraordinariamente felizes para todos. Os quatro formavam um grupo de tal maneira inseparável e unido que chegavam ao ponto de ter ao mesmo tempo as mesmas doenças e as mesmas angústias púberes, o que intrigava deveras os seus progenitores, que não sabiam muito bem se não se trataria de um brincadeira ensaiada, possivelmente aprimorada pela prática levada muito a peito do teatro que faziam e por isso tinham sempre imensas dúvidas se os deveriam ou não levar a sério. Mas eles eram de tal modo convincentes naquela partilha que não deixavam alternativa aos pais. Se um dizia que tinha uma gripe, já se sabia que haveria mais três engripados e então, nestas alturas, alternadamente, ficavam todos em casa de cada um deles, o que fez apertar ainda mais a já estreita relação existente. Para além destes episódios, quase tudo o que faziam era em conjunto e na escola eram mesmo conhecidos pelo bando dos quatro numa alusão jocosa aos líderes chineses corridos do poder depois da morte de Mao.
Nascida nessa altura e alimentada ao longo do tempo, perdura ainda hoje uma especial e oxigenada relação de amizade com Jorge, seu grande amigo, confidente e cúmplice e, também estabelecida nessa altura, vem até hoje uma ligação insubstituível e singular a Mónica, mulher de uma sensibilidade fora do comum e de um anormal jeito para o desenho mas de um feitio peculiar e um tanto irascível que viria mais tarde a tornar – se pintora e, dando continuidade ao seu gosto e aptidão ao teatro, encenadora.
Jorge e Mónica namoraram durante muito tempo mas tiveram quase sempre uma conflituosa relação de amor que acabou, uns anos mais tarde, numa perturbante relação de ódio, cujas labaredas, hoje extintas, deixaram marcas, porventura inextinguíveis, em muitas outras pessoas para além deles os dois.

Já na estrada, a caminho do seu refúgio, seu porque talvez fosse muito mais dele do que dos dois, era por esta época da sua vida que os seus atormentados e voláteis pensamentos maioritariamente se situavam, saltando entre o passado e o presente a uma velocidade inimaginável, criando uma espécie de nevoeiro dentro da sua cabeça que lhe afectava os sentidos, principalmente o da visão , quase o incapacitando de conduzir convenientemente , isto é , sem pôr em perigo , a sua vida e a dos outros .
Deixara de fumar há já uns bons anos e, estranhamente, procurou no porta-luvas um maço de cigarros que sabia não poder existir. O carro ia vencendo a distância, mecanicamente, como se estivesse a ser pilotado automaticamente e a paisagem entrava, algo indiferente, pelo pára-brisas.
Subitamente o telemóvel começa a tocar! Ao princípio, tão absorto estava, que mal deu conta. O toque durou uns duradouros segundos até que ele se desse nota mas finalmente decide atender:

- Estou sim. - responde em voz apagada.


A palavra à STAR

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Sem título

Uma folha em branco. Hoje em dia um ecrã em branco. Eu estou em frente ao ecrã , à folha, quasse como se estivesse em frente a uma mulher acabada de despir, agora nua. Ela está à minha frente , nua , tal qual deus a pôs no mundo. Observo -a , sinto à distância a sua respiração e fico sem saber o que fazer.
Uma folha em branco. Despida como uma mulher antes do amor.
Caiem pétalas na rua , longe .
A mulher despida , nua.

domingo, 18 de novembro de 2007

Pequenos azares








Foi tangencial, digamos assim; um capricho do destino, poderei igualmente pensar. A verdade é que foi por inexplicáveis instantes que não me cruzei com ela, por quem tão ansiosamente procurava, por quem tão ansiosamente tenho procurado nestes últimos dias.

Eu, de um lado da rua e ela do outro, em apressado passo em direcção ao multibanco, caminhando pendurada no telemóvel, muito determinada e decidida. À porta do banco, um pequeno momento de equilíbrio, telemóvel no pescoço, entre a cabeça inclinada para a direita e o ombro desse mesmo lado enquanto que as mãos, agora livres, procuraram o cartão de débito, que lhe permitiu então entrar no banco logo que o passou na ranhura da porta e assim, assim desapareceu da minha vista, assim se esfumaram os meus sonhos e ali fiquei especado, preso ao chão, como um pateta a olhar o vazio que logo se abriu à minha frente.

Mistério


Fecho os olhos e trago até mim a imagem do firmamento repleto de estrelas e quero sentir a emoção infantil de primeira vez.


Está um frio cortante e pouco tempo me retenho a observar o céu porque o desconforto venceu a beleza.


Entro no carro e faço - me à estrada.


Lembro - me do mar e das ondas com a sua espuma branca nos dias amenos de Primavera, dos dias quentes de Verão , das brincadeiras inocentes da meninice , da bola a correr leve e sem malícia pela areia ainda limpa da praia;dos sonhos de outrora, que se esfumaram , mas talvez ainda pairem no ar e tenham ido para junto das estrelas , lá no cimo. Sou por instantes um menino feliz a contemplar as estrelas : e como o céu está hoje cheio delas , brilhando , cintilando numa beatitude tranquila.

sábado, 17 de novembro de 2007

Olha que linda brincadeira ...!

Desde aproximadamente as onze horas da manhã que o tempo se tinha alterado e o que parecia ir ser mais um límpido dia de sol estava agora a transformar – se numa cinzenta e um tanto ameaçadora tarde de chuva. O céu tinha ficado carregado de umas nuvens estranhas, que o fizeram lembrar – se de Cabo Verde, onde sempre parece que vai chover mas onde raramente chove e, tal como lá, a atmosfera transmitiu – lhe uma impressão de mistério que veio acompanhada de uma certa opressão sobre os sentidos, propiciadora de pressentimentos ruins. Contudo, não estava frio. Estava até uma temperatura amena para aquele tardio Setembro. Subitamente, uma forte rajada de vento varreu por completo o parque, fazendo desaparecer, tão abruptamente como tinham aparecido, as recordações do passado que em segundos lhe tinham vindo à memória e, num instante, voltou ao presente.
Quase com a mesma rapidez, num fugaz movimento, o casal terminou a despedida, afastando – se um do outro em direcções opostas, como se o vento os tivesse avisado de um qualquer perigo iminente. Rafael apenas conseguiu ver a sua mulher a entrar no carro, estacionado poucos metros à frente do local onde os dois se tinham acabado de beijar mas não conseguiu fixar a fisionomia do homem que a acabara de deixar, dado que ele saiu na direcção contrária, encoberto pelos automóveis que nessa área se encontravam em maior número.


Toma lá a bola.... Beijocas

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Uma brincadeira?

Respondendo a um repto lançado pela minha amiga Star aqui vai uma acha:

Tinham sido dias, semanas, pensando bem, meses de trabalho muito intenso, mais intenso ainda do que por norma já era, por isso andava cansado e a sua mente demasiado absorvida com os problemas do dia a dia e com a planificação da sua complicada agenda.
A clínica tinha-se expandido, porventura mais do que alguma vez imaginara e, simultaneamente, as solicitações dos seus colegas de outros hospitais surgiam a um ritmo vertiginoso, que não era capaz de controlar e às quais tinha uma grande dificuldade em dizer não, por razões várias, mas principalmente porque sabia que uma vida humana poderia depender da sua disponibilidade. Essa obrigação, digamos assim, em muitas ocasiões, demasiadas ocasiões, fazia com que ficassem em segundo plano outros compromissos da sua vida, como se a sua missão neste mundo fosse a sua entrega plena e completa à profissão que um dia escolhera.

Foi muito cedo que descobriu a vocação. Logo nos primeiros anos de escola, quando os outros meninos andavam mais preocupados com o futebol e com os jogos da playstation , ele já se imaginava de bata branca e de bisturi em riste , qual espada salvadora de demónios e malfeitores , debaixo das fortes luzes da sala de operações , rodeado por assistentes e colegas , em tentativas suadas e cronometradas de trazer de novo para vida , vidas que pareciam querer partir. Não que não lhe interessassem os feitos tornados quase heróicos dos jogadores do seu clube preferido participando com igual entusiasmo nas conversas sobre o tema quando elas surgiam no seu grupo de amigos. Chegava até, muitas vezes ,a casa com as calças rotas nos joelhos depois de uns dribles menos bem conseguidos no campo de recreio da escola.


Que o teu brilho dê agora continuidade.

Um beijo

domingo, 21 de outubro de 2007

Desejo e imaginação


Venho hoje aqui de cabeça quase vazia esperando que a tela em branco ilumine a mente e faça brotar as palavras que procuro.


Volta manso um rumor de paz e ternura e um vento leve que parece trazer o amor levanta - se de leste para oeste varrendo suave a vegetação rasteira.
Da soleira da porta imagino a calmaria que se deve espraiar nos campos de trigo do sul quando o sol se ergue no cimo do azul do céu , no pino do verão .
Uma voz suave espalha - se dentro de mim .
Deixo que se instale e me conduza até à cama onde irei dormir porventura embalado no sonho de um amanhã melhor , lilás , como o sorriso que daqui vejo desenhar - se no teu rosto.
Serás a fantasia que um desejo fabrica , sim , mas como se pode viver sem fantasia , sem imaginar que o oceano não se pode atravessar , sem pensar que o cume da mais alta montanha não se pode atingir?
Avivo , sem me atormentar , a fogueira dos sonhos que sonho acordado , tentando levar daqui um calor na alma e esperança no coração . Talvez isso me ajude a ter um dia melhor , talvez assim se possa ir abrindo a porta da harmonia , da ternura , do amor ?! . Talvez...

sábado, 29 de setembro de 2007

Pensamentos

Subtraídos com respeito aqui :

Há três coisas que jamais voltam: a flecha lançada, a palavra dita e a oportunidade perdida.

Provérbio chinês



A melhor maneira de nos prepararmos para o futuro é concentrar toda a imaginação e entusiasmo na execução perfeita do trabalho de hoje.

Dale Carnegie

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Angústia

Continuar seguindo mesmo não sabendo em que direcção caminho como se de vez em quando apagasse quase tudo e retornasse ao ponto zero que não é mais zero , que não é mais o começo .Quanto muito é um recomeço , um re-inicio que é preciso levar a cabo tentando reequilibrar , tentando recuperar o que se perdeu , tentando juntar os pedaços que se foram espalhando, que se encontram distribuidos , algo perdidos , na memória e nos sentidos.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Scolari

Quem é que em Portugal não opinou hoje sobre Scolari e a sua atitude?
Neste momento , a televisão pública dedica-lhe a Grande Entrevista para se saber ao pormenor em que escola de pugilismo anda o senhor em questão a ter aulas , porque aquele murro - ou tentativa de murro - é uma verdadeira vergonha. Então andamos a pagar um balúrdio aquele sujeito para que ele apresente um murrinho daqueles? Afinal que pouca vergonha é esta?Como fica a galhardia lusitana , de reputação mundial , após aquela espécie de soco? A nossa antiga e longínqua tradição de povo caceteiro e arruaceiro como fica depois da vergonhosa prestação deste brasileiro que anda a comandar uma selecção de frouxos e pernetas?
Eu voto já para que o homem vá de pressinha aprender muai thai , karaté ou Kick Boxing porque de outro modo não chegamos a lado nehum e o campeonato europeu está já aí à porta.

Abaixo o escolari , portanto ,e , proponho que o João Pinto seja desde já nomeado , no minimo , adjunto da equipe técnica da selecção nacional aconselhando daqui os responsáveis , que nunca irão ler este post , que se deve começar a pensar na contratação de verdadeiro condutores de homens , com técnicas de punhos e pernas eficazes a enfrentar qualquer sérvio , croata , polaco ou outro indigena de uma qualquer outra nacionalidade que nos queira derrotar dentro das quatro linhas onde o futebol , não sei por que raio de ideia , teima em continuar a jogar - se.

domingo, 9 de setembro de 2007

Catarse


Acabado o período de férias , onde a liberdade de acção é quase total , volta o tempo da rotina e dos horários a cumprir.


Não recomeça da melhor forma , esta fase , mas o trabalho há muito que é para mim um penoso sacrifício que tento levar da forma mais leve que me é possível.


Aos 48 anos sinto , com um peso especial , que os passos dados no meu passado adolescente não terão sido os mais acertados mas quanto a isso nada se pode fazer agora.

Sempre que tenho a oportunidade de falar com gente mais nova que começa a sua vida profissional digo - lhes o que a mim não me foi dito e que eu julgo deveria ter sido. Aviso , sem moralismos , que o caminho se faz do princípio , que os passos de hoje têm reflexo no futuro.


É uma espécie de catarse que de alguma forma me alivia sem no entanto emendar seja o que for.


quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Passagem


A vida é uma passagem. É um lugar comum , uma trivialidade.

Para mim , neste momento é a afirmação que tento levar até ao dia de amanhã , lembrá -la em todos os momentos desse dia , permanecer com ela para o dia seguinte e para todos os restantes dias da minha vida como se fosse a bandeira que devo olhar e respeitar sempre , porque não me posso apegar às coisas , aos instantes , aos sorrisos , aos rostos donos desses sorrisos, porque tudo é efémero como o vento que passa , nada permanece mais que o momento que dura.

E esta é uma passagem cheia de surpresas e de acontecimentos que não controlamos. Isto faz da vida a maravilha que é mas não deixa de constituir também uma ameaça porventura angustiante.