domingo, 21 de outubro de 2007

Desejo e imaginação


Venho hoje aqui de cabeça quase vazia esperando que a tela em branco ilumine a mente e faça brotar as palavras que procuro.


Volta manso um rumor de paz e ternura e um vento leve que parece trazer o amor levanta - se de leste para oeste varrendo suave a vegetação rasteira.
Da soleira da porta imagino a calmaria que se deve espraiar nos campos de trigo do sul quando o sol se ergue no cimo do azul do céu , no pino do verão .
Uma voz suave espalha - se dentro de mim .
Deixo que se instale e me conduza até à cama onde irei dormir porventura embalado no sonho de um amanhã melhor , lilás , como o sorriso que daqui vejo desenhar - se no teu rosto.
Serás a fantasia que um desejo fabrica , sim , mas como se pode viver sem fantasia , sem imaginar que o oceano não se pode atravessar , sem pensar que o cume da mais alta montanha não se pode atingir?
Avivo , sem me atormentar , a fogueira dos sonhos que sonho acordado , tentando levar daqui um calor na alma e esperança no coração . Talvez isso me ajude a ter um dia melhor , talvez assim se possa ir abrindo a porta da harmonia , da ternura , do amor ?! . Talvez...

sábado, 29 de setembro de 2007

Pensamentos

Subtraídos com respeito aqui :

Há três coisas que jamais voltam: a flecha lançada, a palavra dita e a oportunidade perdida.

Provérbio chinês



A melhor maneira de nos prepararmos para o futuro é concentrar toda a imaginação e entusiasmo na execução perfeita do trabalho de hoje.

Dale Carnegie

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Angústia

Continuar seguindo mesmo não sabendo em que direcção caminho como se de vez em quando apagasse quase tudo e retornasse ao ponto zero que não é mais zero , que não é mais o começo .Quanto muito é um recomeço , um re-inicio que é preciso levar a cabo tentando reequilibrar , tentando recuperar o que se perdeu , tentando juntar os pedaços que se foram espalhando, que se encontram distribuidos , algo perdidos , na memória e nos sentidos.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Scolari

Quem é que em Portugal não opinou hoje sobre Scolari e a sua atitude?
Neste momento , a televisão pública dedica-lhe a Grande Entrevista para se saber ao pormenor em que escola de pugilismo anda o senhor em questão a ter aulas , porque aquele murro - ou tentativa de murro - é uma verdadeira vergonha. Então andamos a pagar um balúrdio aquele sujeito para que ele apresente um murrinho daqueles? Afinal que pouca vergonha é esta?Como fica a galhardia lusitana , de reputação mundial , após aquela espécie de soco? A nossa antiga e longínqua tradição de povo caceteiro e arruaceiro como fica depois da vergonhosa prestação deste brasileiro que anda a comandar uma selecção de frouxos e pernetas?
Eu voto já para que o homem vá de pressinha aprender muai thai , karaté ou Kick Boxing porque de outro modo não chegamos a lado nehum e o campeonato europeu está já aí à porta.

Abaixo o escolari , portanto ,e , proponho que o João Pinto seja desde já nomeado , no minimo , adjunto da equipe técnica da selecção nacional aconselhando daqui os responsáveis , que nunca irão ler este post , que se deve começar a pensar na contratação de verdadeiro condutores de homens , com técnicas de punhos e pernas eficazes a enfrentar qualquer sérvio , croata , polaco ou outro indigena de uma qualquer outra nacionalidade que nos queira derrotar dentro das quatro linhas onde o futebol , não sei por que raio de ideia , teima em continuar a jogar - se.

domingo, 9 de setembro de 2007

Catarse


Acabado o período de férias , onde a liberdade de acção é quase total , volta o tempo da rotina e dos horários a cumprir.


Não recomeça da melhor forma , esta fase , mas o trabalho há muito que é para mim um penoso sacrifício que tento levar da forma mais leve que me é possível.


Aos 48 anos sinto , com um peso especial , que os passos dados no meu passado adolescente não terão sido os mais acertados mas quanto a isso nada se pode fazer agora.

Sempre que tenho a oportunidade de falar com gente mais nova que começa a sua vida profissional digo - lhes o que a mim não me foi dito e que eu julgo deveria ter sido. Aviso , sem moralismos , que o caminho se faz do princípio , que os passos de hoje têm reflexo no futuro.


É uma espécie de catarse que de alguma forma me alivia sem no entanto emendar seja o que for.


quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Passagem


A vida é uma passagem. É um lugar comum , uma trivialidade.

Para mim , neste momento é a afirmação que tento levar até ao dia de amanhã , lembrá -la em todos os momentos desse dia , permanecer com ela para o dia seguinte e para todos os restantes dias da minha vida como se fosse a bandeira que devo olhar e respeitar sempre , porque não me posso apegar às coisas , aos instantes , aos sorrisos , aos rostos donos desses sorrisos, porque tudo é efémero como o vento que passa , nada permanece mais que o momento que dura.

E esta é uma passagem cheia de surpresas e de acontecimentos que não controlamos. Isto faz da vida a maravilha que é mas não deixa de constituir também uma ameaça porventura angustiante.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Água


Acabo de sair da água mais purificado do que entrei . Fonte de vida e de energia , a água dá - nos o tempo perdido e devolve - nos o ânimo .

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Sorriso azul

Há , entre as rochas , brisas que se cruzam e com elas odores chegam a mim avivando a memória que me transporta até ti , ao teu sorriso , que paira agora no cimo , no recorte que o azul desenha na fraga.

Zambujeira do Mar (3)


Dois cafés afastaram - me o sono e não sei por quanto tempo ouvirei ainda este silêncio de vozes que me cerca.

A vida é também um exercício de paciência . É necessário ser paciente. A sabedoria talvez seja saber aguentar a pressão que o tempo exerce. É preciso coordenar o gesto com o tempo para o fazer. Nem antes nem depois. Para não nos perdermos temos que esperar pelo momento certo. Há uma altura exacta para se efectuar o movimento e o seu contrário: a espera.

Ondulações


O som propagou-se pela planície ampla acabando por desaparecer antes da água , levado pelo vento .

Ainda bem que de novo soprou forte porque com ele foram algumas recordações incómodas e indesejáveis.

Outras , melhores , vieram com ele , fazendo - me acreditar no ser humano , no amor , na reconciliação , na possibilidade da paz.

Talvez o silêncio tenha vindo depois. Há , no entanto , um silêncio que não é amigo , um silêncio que dói por entrar bem fundo dentro de nós.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Pranto

Choro em silêncio.

Sem lágrimas , como se de um deserto se tratasse.

Um vazio , estranhamente cheio de um outro vazio. Ao longe , as vozes amigas dão uma ajuda inestimável. Quero ouvi - las agora , uma vez , outra vez ainda , vezes sem conta até conseguir adormecer.

O meu coração chora manso , mansinho , num silêncio de nuvens brancas em céu azul , no alto , muito acima de mim.

Vento


Soprou um vento que , não sendo agreste , não nos deixou descer até à praia.

O sol apaziguou a solidão e as vozes amigas a inquietação.

Suave choro

Choro!

Não , não choro.

Gostaria de lavar o rosto de lágrimas e estendê - las até ao coração.

Doce tristeza Alentejana

Estou triste. De uma tristeza que este Alentejo pacifica e distende.

Estou só mas hoje não podia ser de outro modo.

Zambujeira do Mar ( 2 )

Um susto , depois transformado numa espécie de suplicio , acompanha - me desde a hora que acordei até ao momento em que tento escrever estas linhas.

Consequência de um delito moral , quiçá inofensivo , patético com certeza , estou agora quase paralisado , receoso quanto à opinião dos outros , duvidoso quanto ao meu carácter.

Nada de mais , tudo de mais.

Pequenos gestos podem ter consequências desastrosas.

Gestos há , tal como palavras , que duram mais que o tempo que levaram a fazer - se ou a dizer - se.
Ficam. Incrustam-se à alma , ao corpo , à pele e ficam. A memória tratará de os refazer , de o(a)s pendurar em partes de nós que tentamos não ver , não encontrar.

Madalena

Avisto - te ao longe , mal consegui distinguir os traços do teu rosto mas percebi um sorriso breve , leve , que me prendeu ao teu olhar.

Páro por instantes que agora recordo como se tivessem durado quase uma eternidade.

Zambujeira do mar (1)

Tento sintetizar , quero sintetizar mas não me sai nada. Apenas o mar , ao fundo , e o barulho das ondas me embalam para outro universo , deixando o meu corpo estirado sobre a toalha enrugada por estes dias de descuido preguiçoso.

Está calor . Há outros corpos deitados ao lado do meu , outros ainda que se movimentam displicentemente junto à água , em desalinho perfeito.

O que está na nossa cabeça não nos deixa mesmo que caminhemos até á estrela mais distante , acabo de ler.

Sandra tem um rosto que me faz lembrar um sapo , um sapo simpático e amoroso , franzindo - se no meio da testa amiúde num gesto de aparente defesa.

É a tua ausência que me lixa - penso.
A falta da tua voz a encher o espaço , é o que me deita por terra - repito para mim mesmo.

Aninho - me bem junto dos lençóis , onde tento dormir , mas apenas o medo , um quase pavor , me deixa estático.

Planície

Atravesso a planície em direcção ao aparente infinito , caminhando ora em passo largo ora em calmo passo, aproveitando então para em redor olhar e observar a deslumbrante paisagem que a natureza , gratuitamente , coloca à disposição de quem para ela quiser reparar.

Penso na vida , na vida que já gastei , penso no que arrisquei , no que não arrisquei , nos medos profundos que me impediram de pronunciar as palavras certas no momento certo e nos outros , naqueles instantes em que a alegria fez com que os meus olhos se marejassem em lágrimas infantis que molharam de seguida a minha alma sequiosa de vida e de desejo, pérolas de um colar único, partilhado por aqueles que estão no coração .

São muitas as vezes que antecipo o instante ultimo que me há - de um dia separar desta existência terrena , mistificando-o ao ponto de ver nele o momento das verdadeiras revelações , da compreensão total do porquê das inquietações passadas , dos desencontros , dos instantes de solidão , do amor e do júbilo , da alegria , da tristeza, da fé , do choro e do riso, da angústia , da descrença , das lutas e guerras , da fome , da desigualdade , da injustiça , da partilha , da justiça , do equilibrio e harmonia , das paisagens sublimes , do silêncio.

Já pensei nesse instante ou instantes como momentos de amor supremo , de ternura genuína , de pureza.

Desejo

Um tempo cinzento , um tanto fora do que se espera do calendário , faz com que me retenha em casa pensando em corpos femininos , na volúpia que propiciam , enquanto os campeonatos mundiais de atletismo decorrem numa Osaka longínqua , próxima pela inevitável televisão .

A minha casa ainda desarrumada está uma espécie de caos que não apetece desfazer prolongando as férias que se aproximam do fim.

C. inunda os meus devaneios desejando-a fortemente ao ponto de estar prestes a cometer uma pequena loucura há muito apetecida. É roliça , cheia , sensual prometendo um mundo de prazeres carnais.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Solidão


A trágica história de Maddie continua a invadir os telejornais colocando-nos entre a indiferença e a exaustão , a impotência e o desgosto.
O tempo vai passando , deixando sobre mim um cansaço porventura amanhã esquecido quando me fizer à estrada rumo ao gozo de umas férias este ano um tanto sem rota certa.


Há pouco , conversas entrecruzadas , tinham como tema os telemóveis , aparelho de culto entre os portugueses , quase mais importante que os orgãos reprodutores , quiça um seu prolongamento.


A vida de solidão é estéril , terei lido algures . Concordo plenamente não obstante passar grande parte do meu tempo só e de muitas vezes retirar dessa quietude uma paz retemperadora.